Bibo Nunes ataca estudantes de universidades de Santa Maria O deputado federal Bibo Nunes (PL-RS) foi condenado Justiça Federal a pagar R$ 100 mil por danos morais coletivos estudantes das universidades federais de Pelotas (Ufpel) e Santa Maria (UFSM). À decisão, cabe recurso. A ação foi movida pelo Ministério Público Federal (MPF) após o deputado afirmar, em um vídeo publicado nas redes sociais em outubro de 2022, que os estudantes deveriam ser "queimados vivos dentro de pneus" por protestarem contra cortes de verbas. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Ao g1, o deputado afirmou que, na esfera penal, "ganhou" com um acordo de R$ 2 mil. "É uma decisão política e vou recorrer. Falei do filme Tropa de Elite e deturparam. Ou sou incendiário de estudantes? Também tenho imunidade parlamentar. Jogada política na potência 13", completou. Em nota, a defesa afirmou que Nunes "não defendeu que estudantes fossem queimados, mas mencionou o conhecido episódio do filme 'Tropa de Elite' em que universitários acabam tendo esse lamentável destino por cooperarem com criminosos". (leia, abaixo, na íntegra) No vídeo, veiculado durante o segundo turno da campanha eleitoral daquele ano, o político faz ofensas aos alunos, chamando-os de "inúteis", "lixo", "escória" e até de "débeis mentais". Veja o vídeo acima. Homenagens às vítimas da Boate Kiss marcam 13 anos da tragédia em Santa Maria Em um trecho, Nunes afirmou que eles deveriam ser “queimados vivos dentro de pneus”, fazendo uma menção, que a sentença classificou como "absolutamente insensata", a uma cena do filme Tropa de Elite. “Ser rico e não ter noção, como esses aí. É o filme 'Tropa de Elite'. Sabe o que aconteceu? Olha o filme 'um'. Pegaram aqueles coitadinhos, aqueles riquinhos ajudando pobre e que se deram mal e queimaram vivos. Queimaram vivo dentro de pneus, queimaram vivo, e é isso que esses estudantes alienados, filhos de papai e que têm grana merecem. Não que eu queira isso, mas eles merecem porque eles estão arriscando acabar com o nosso Brasil", diz. A decisão judicial determina que o valor total da indenização seja revertido a um fundo para investimento na educação pública em nível superior. De acordo com o procurador da República Enrico Rodrigues de Freitas, a fala ultrapassa os limites das funções legislativas, pois incita violência e afeta a imagem das universidades. O MPF argumentou ainda que a fala de Nunes buscava "interromper, impedir ou dificultar manifestações livres" de professores e alunos. A sentença reconheceu que a conduta "é reprovável porque visa inibir a liberdade de manifestação de pensamento dos estudantes", direito assegurado pela Constituição. Na ocasião, Bibo Nunes pediu desculpas pelo vídeo: "Errar é humano! Depois de uma mãe me relatar as perseguições contra sua filha na universidade, porque era bolsonarista, fiquei muito irritado e fiz um vídeo, onde perdi o controle emocional. Jamais vou querer que alguém seja queimado vivo. Peço desculpas a todos, pela insensatez", escreveu nas redes sociais. No vídeo, o deputado federal criticou os alunos por atos em protesto ao presidente Jair Bolsonaro (PL) devido a cortes financeiros na área da educação. Bibo negou que tenha dito que os estudantes merecessem queimar vivos. À época, o presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria, Gabriel Rovadoschi Barros, afirmou que não aceitava as desculpas de ""mal-entendido". Segundo ele, a comunidade santa-mariense ainda busca formas de lidar com a memória da tragédia da Boate Kiss. "As ofensas à vida proferidas pelo deputado são uma barbárie e ferem a toda humanidade de uma nação. Jamais aceitaremos a naturalização da insanidade, da violência e da desumanidade", disse. Bibo Nunes, de 65 anos, se reelegeu no cargo de deputado federal no pleito de 2022, assumindo a vaga após a retotalização de votos pelo TRE-RS. Ele foi eleito deputado federal em 2018, via quociente partidário, com 91.664 votos. Em 2016, filiado ao MDB, se candidatou para vereador em Porto Alegre, mas não se elegeu. Antes, em 2014, já havia tentado se eleger como deputado pelo PSD, e também não foi eleito. O que diz a defesa de Bibo Nunes "NOTA DE ESCLARECIMENTO Ao contrário da narrativa veiculada na Imprensa, o deputado federal Bibo Nunes, a partir do desabafo da mãe de uma universitária impedida de ter aula por ocasião do protesto político realizado por alguns estudantes durante o segundo turno das eleições presidenciais, não defendeu que estudantes fossem queimados, mas mencionou o conhecido episódio do filme “Tropa de Elite” em que universitários acabam tendo esse lamentável destino por cooperarem com criminosos. Ato contínuo, o deputado, em várias ocasiões, esclareceu em sua fala no vídeo “não que eu queira isso”. Bibo Nunes estava criticando os militantes que sequestraram um protesto em favor da educação e o transformaram em uma manifestação política com cartazes a favor de Lula e contra Bolsonaro em pleno segundo turno da eleição de 2022. No bojo do seu mandato parlamentar, resguardado em absoluto pelo art. 53 da Constituição Federal, o deputado criticou politicamente aqueles estudantes, quais sejam, os militantes que fizeram campanha eleitoral em nome das instituições públicas e impediram que os demais estudantes pudessem ter aula. Em sua fala no indigitado vídeo, o parlamentar diferenciou expressamente os estudantes em geral daqueles que militavam em favor de Lula sob a fachada de um protesto contra cortes na educação, os quais conseguiram, com anuência da reitoria, cancelar as aulas na data e impedir que os demais universitários (a maioria deles) pudessem ter aula. Malgrado erroneamente interpretado em casuísmos subjetivistas, a inviolabilidade parlamentar constitucional abrange toda e qualquer manifestação do parlamentar, especialmente uma crítica política em período eleitoral. A título de necessário esclarecimento, a sentença expressamente reconheceu que não há qualquer correlação da fala do deputado com a tragédia da boate Kiss, desmentindo a indevida associação arquitetada pela Defensoria Pública da União (DPU) e pelo Ministério Público Federal (MPF). A ação foi proposta pela DPU e não pelo MPF, com pedido de indenização no valor de um milhão de reais, tendo a sentença fixado apenas 10% do valor pleiteado. Não é a crítica política do deputado que cerceia a liberdade de expressão dos estudantes, mas sim a instrumentalização do aparato judicial contra a liberdade de expressão parlamentar, constitucionalmente inviolável, que gera efeito inibidor ao exercício da função legislativa. A ação judicial, fundada em discordância político-ideológica, mostra-se mais censora do que qualquer crítica política contundente. Ressalte-se que nenhuma das instituições que processaram o parlamentar adotou providência em favor da maioria dos universitários impedidos de ter aula, atuando exclusivamente em defesa de um grupo politicamente alinhado. A única iniciativa observada foi a tentativa de penalizar o deputado federal — justamente aquele que reivindicou o direito da maioria dos estudantes e criticou a indevida instrumentalização político-ideológica das instituições de ensino. Todos têm o direito de manifestar suas opiniões políticas, mas também o dever democrático de aceitar críticas. A liberdade de expressão pressupõe o contraditório. Negá-lo conduz a um viés autoritário e antidemocrático, no qual apenas um espectro político detém direito de fala, suprimindo a pluralidade e o debate público." Deputado federal Bibo Nunes (PL) em imagem de vídeo publicado em seu perfil nas redes sociais Redes sociais/Reprodução VÍDEOS: Tudo sobre o RS
Bibo Nunes é condenado a pagar R$ 100 mil em danos morais por dizer que estudantes deveriam ser 'queimados vivos' no RS
Escrito em 27/01/2026
Bibo Nunes ataca estudantes de universidades de Santa Maria O deputado federal Bibo Nunes (PL-RS) foi condenado Justiça Federal a pagar R$ 100 mil por danos morais coletivos estudantes das universidades federais de Pelotas (Ufpel) e Santa Maria (UFSM). À decisão, cabe recurso. A ação foi movida pelo Ministério Público Federal (MPF) após o deputado afirmar, em um vídeo publicado nas redes sociais em outubro de 2022, que os estudantes deveriam ser "queimados vivos dentro de pneus" por protestarem contra cortes de verbas. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Ao g1, o deputado afirmou que, na esfera penal, "ganhou" com um acordo de R$ 2 mil. "É uma decisão política e vou recorrer. Falei do filme Tropa de Elite e deturparam. Ou sou incendiário de estudantes? Também tenho imunidade parlamentar. Jogada política na potência 13", completou. Em nota, a defesa afirmou que Nunes "não defendeu que estudantes fossem queimados, mas mencionou o conhecido episódio do filme 'Tropa de Elite' em que universitários acabam tendo esse lamentável destino por cooperarem com criminosos". (leia, abaixo, na íntegra) No vídeo, veiculado durante o segundo turno da campanha eleitoral daquele ano, o político faz ofensas aos alunos, chamando-os de "inúteis", "lixo", "escória" e até de "débeis mentais". Veja o vídeo acima. Homenagens às vítimas da Boate Kiss marcam 13 anos da tragédia em Santa Maria Em um trecho, Nunes afirmou que eles deveriam ser “queimados vivos dentro de pneus”, fazendo uma menção, que a sentença classificou como "absolutamente insensata", a uma cena do filme Tropa de Elite. “Ser rico e não ter noção, como esses aí. É o filme 'Tropa de Elite'. Sabe o que aconteceu? Olha o filme 'um'. Pegaram aqueles coitadinhos, aqueles riquinhos ajudando pobre e que se deram mal e queimaram vivos. Queimaram vivo dentro de pneus, queimaram vivo, e é isso que esses estudantes alienados, filhos de papai e que têm grana merecem. Não que eu queira isso, mas eles merecem porque eles estão arriscando acabar com o nosso Brasil", diz. A decisão judicial determina que o valor total da indenização seja revertido a um fundo para investimento na educação pública em nível superior. De acordo com o procurador da República Enrico Rodrigues de Freitas, a fala ultrapassa os limites das funções legislativas, pois incita violência e afeta a imagem das universidades. O MPF argumentou ainda que a fala de Nunes buscava "interromper, impedir ou dificultar manifestações livres" de professores e alunos. A sentença reconheceu que a conduta "é reprovável porque visa inibir a liberdade de manifestação de pensamento dos estudantes", direito assegurado pela Constituição. Na ocasião, Bibo Nunes pediu desculpas pelo vídeo: "Errar é humano! Depois de uma mãe me relatar as perseguições contra sua filha na universidade, porque era bolsonarista, fiquei muito irritado e fiz um vídeo, onde perdi o controle emocional. Jamais vou querer que alguém seja queimado vivo. Peço desculpas a todos, pela insensatez", escreveu nas redes sociais. No vídeo, o deputado federal criticou os alunos por atos em protesto ao presidente Jair Bolsonaro (PL) devido a cortes financeiros na área da educação. Bibo negou que tenha dito que os estudantes merecessem queimar vivos. À época, o presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria, Gabriel Rovadoschi Barros, afirmou que não aceitava as desculpas de ""mal-entendido". Segundo ele, a comunidade santa-mariense ainda busca formas de lidar com a memória da tragédia da Boate Kiss. "As ofensas à vida proferidas pelo deputado são uma barbárie e ferem a toda humanidade de uma nação. Jamais aceitaremos a naturalização da insanidade, da violência e da desumanidade", disse. Bibo Nunes, de 65 anos, se reelegeu no cargo de deputado federal no pleito de 2022, assumindo a vaga após a retotalização de votos pelo TRE-RS. Ele foi eleito deputado federal em 2018, via quociente partidário, com 91.664 votos. Em 2016, filiado ao MDB, se candidatou para vereador em Porto Alegre, mas não se elegeu. Antes, em 2014, já havia tentado se eleger como deputado pelo PSD, e também não foi eleito. O que diz a defesa de Bibo Nunes "NOTA DE ESCLARECIMENTO Ao contrário da narrativa veiculada na Imprensa, o deputado federal Bibo Nunes, a partir do desabafo da mãe de uma universitária impedida de ter aula por ocasião do protesto político realizado por alguns estudantes durante o segundo turno das eleições presidenciais, não defendeu que estudantes fossem queimados, mas mencionou o conhecido episódio do filme “Tropa de Elite” em que universitários acabam tendo esse lamentável destino por cooperarem com criminosos. Ato contínuo, o deputado, em várias ocasiões, esclareceu em sua fala no vídeo “não que eu queira isso”. Bibo Nunes estava criticando os militantes que sequestraram um protesto em favor da educação e o transformaram em uma manifestação política com cartazes a favor de Lula e contra Bolsonaro em pleno segundo turno da eleição de 2022. No bojo do seu mandato parlamentar, resguardado em absoluto pelo art. 53 da Constituição Federal, o deputado criticou politicamente aqueles estudantes, quais sejam, os militantes que fizeram campanha eleitoral em nome das instituições públicas e impediram que os demais estudantes pudessem ter aula. Em sua fala no indigitado vídeo, o parlamentar diferenciou expressamente os estudantes em geral daqueles que militavam em favor de Lula sob a fachada de um protesto contra cortes na educação, os quais conseguiram, com anuência da reitoria, cancelar as aulas na data e impedir que os demais universitários (a maioria deles) pudessem ter aula. Malgrado erroneamente interpretado em casuísmos subjetivistas, a inviolabilidade parlamentar constitucional abrange toda e qualquer manifestação do parlamentar, especialmente uma crítica política em período eleitoral. A título de necessário esclarecimento, a sentença expressamente reconheceu que não há qualquer correlação da fala do deputado com a tragédia da boate Kiss, desmentindo a indevida associação arquitetada pela Defensoria Pública da União (DPU) e pelo Ministério Público Federal (MPF). A ação foi proposta pela DPU e não pelo MPF, com pedido de indenização no valor de um milhão de reais, tendo a sentença fixado apenas 10% do valor pleiteado. Não é a crítica política do deputado que cerceia a liberdade de expressão dos estudantes, mas sim a instrumentalização do aparato judicial contra a liberdade de expressão parlamentar, constitucionalmente inviolável, que gera efeito inibidor ao exercício da função legislativa. A ação judicial, fundada em discordância político-ideológica, mostra-se mais censora do que qualquer crítica política contundente. Ressalte-se que nenhuma das instituições que processaram o parlamentar adotou providência em favor da maioria dos universitários impedidos de ter aula, atuando exclusivamente em defesa de um grupo politicamente alinhado. A única iniciativa observada foi a tentativa de penalizar o deputado federal — justamente aquele que reivindicou o direito da maioria dos estudantes e criticou a indevida instrumentalização político-ideológica das instituições de ensino. Todos têm o direito de manifestar suas opiniões políticas, mas também o dever democrático de aceitar críticas. A liberdade de expressão pressupõe o contraditório. Negá-lo conduz a um viés autoritário e antidemocrático, no qual apenas um espectro político detém direito de fala, suprimindo a pluralidade e o debate público." Deputado federal Bibo Nunes (PL) em imagem de vídeo publicado em seu perfil nas redes sociais Redes sociais/Reprodução VÍDEOS: Tudo sobre o RS

