Fim do sonho da casa própria: como construtoras fraudaram famílias com dinheiro da Caixa

Escrito em 18/05/2026


Casa própria: como construtoras fraudaram famílias com dinheiro da Caixa Um sonho antigo que virou pesadelo. Casais em diferentes regiões do país denunciam um esquema de fraude envolvendo construtoras e financiamentos imobiliários da Caixa Econômica Federal. Mesmo após anos de pagamento e liberação de grandes valores pelo banco, as obras das casas continuam inacabadas, ou sequer avançaram como revelado na reportagem exibida pelo Fantástico. Veja no vídeo acima. Em um dos casos, o casal Izael Mendes e Marcela Teles contratou financiamento de cerca de R$ 400 mil a R$ 500 mil para construir a casa própria. Três anos depois do início das obras, o terreno permanece com sinais de abandono. “Era para ser o lugar onde nossa filha ia crescer”, lamenta Israel. A família vive de aluguel enquanto a construção permanece parada. Segundo o modelo do financiamento, a Caixa libera o dinheiro em parcelas conforme o avanço da obra atestado por laudos técnicos. No caso de Isael e Marcela, esses relatórios eram apresentados construtora Âmbar Prumo, contratada pelo casal. Os documentos apontam vem que mais de 80% da casa já estava concluída, mas a realidade era bem diferente. Uma perícia apontou falsificação nas assinaturas de Marcela e concluiu que menos da metade da obra havia sido concluída. Após suspeitar da fraude, o casal interrompeu o pagamento das parcelas. Como consequência, recebeu a informação de que o imóvel pode ir a leilão para quitar a dívida. "Eu passei dois anos sem chegar perto aqui, que eu desmaiava", diz Marcela. Esquema se repete em outros estados O mesmo tipo de irregularidade aparece em outras histórias. Em 2022, Guilherme Both e Bruna Both financiaram R$ 290 mil para construir a casa em Alvorada (RS). Pedro André, dono da construtora Vitro Viana, que também se apresentava como funcionário da Caixa, orientava o casal durante o processo. Apesar de a construtora ter recebido mais de R$ 200 mil do financiamento, a obra foi abandonada poucos meses depois. Nos relatórios enviados ao banco, itens como cobertura, instalações elétricas e hidráulicas apareciam como praticamente concluídos — mas, na prática, nem sequer haviam sido iniciados. O caso foi denunciado, e o homem ligado à construtora foi demitido da Caixa por justa causa, mas ainda não há condenação na Justiça. Famílias acumulam dívidas e prejuízos Além do impacto emocional, as vítimas relatam prejuízos financeiros significativos. Guilherme, por exemplo, contraiu uma dívida superior a R$ 200 mil com o banco e ainda pagou R$ 62 mil diretamente à construtora. “A gente só queria uma casa para morar”, diz. Já em Pernambuco, outro casal enfrentou situação semelhante. A construtora Multicons, responsável foi denunciada por cobrar valores acima do executado na obra e se apropriar da diferença. O dono da empresa foi condenado por estelionato; o prejuízo ultrapassou R$ 126 mil. Clientes relatam falta de fiscalização Em geral, os contratos desse tipo colocam o cliente como responsável por administrar os pagamentos da obra. Para o banco, em geral, se houver fraude, trata-se de uma questão entre cliente e construtora. A Caixa também informou que apura eventuais irregularidades cometidas por funcionários. Ainda assim, especialistas apontam que inconsistências nos laudos, como assinaturas falsas ou percentuais irreais de avanço, poderiam ter sido identificadas previamente. Persistência para concluir o sonho Mesmo após as fraudes, alguns casais conseguiram finalizar as casas com esforço próprio e ajuda de familiares. É o caso de Renata e Michel, que investiram mais de R$ 386 mil antes de perceber irregularidades. A construção só foi concluída após novos empréstimos e apoio da família. “É a casa dos sonhos, a gente não quis desistir”, afirma o casal, que ainda enfrenta dificuldades financeiras, mas conseguiu seguir com o projeto. Outro lado Em nota, a construtora Âmbar Prumo afirma que todas as obras foram conduzidas dentro das normas da Caixa e que eventuais acusações serão respondidas na Justiça. Já o ex-funcionário da Caixa e que respondia pela construtora Vitro Viana, Pedro André Marchesi Cecegolo, recorre na Justiça do Trabalho contra a demissão e nega ter causado qualquer prejuízo financeiro à Caixa. O dono da Multicons, condenado por estelionato, diz que os valores recebidos foram integralmente aplicados na obra e recorre da decisão. Casa própria: como construtoras fraudaram famílias com dinheiro da Caixa Reprodução/TV Globo GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.
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