Caso Oliver: polícia indicia pai e mãe por homicídio do menino de 3 anos e por tortura contra ele e os irmãos

Escrito em 11/08/2026


Caso Oliver: polícia indicia pai e mãe por homicídio do menino de 3 anos no RS A Polícia Civil indiciou nesta terça-feira (11) o pai e a mãe de Oliver Grayson, de 3 anos, morto após ser espancado em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e tortura majorada por cinco vezes. Mayanna Angelina Rodgers e de D’andre Grayson estão presos preventivamente. Segundo a investigação, as agressões contra os cinco filhos do casal, com idades entre 1 e 9 anos, ocorreram de forma reiterada ao longo de aproximadamente nove anos. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Em nota, os advogados de D'Andre afirmam que o inquérito policial "é extenso e carece de análise técnica e pormenorizada por seus defensores". Eles dizem, ainda, que discordam do indiciamento e espera que o Ministério Público faça a análise técnica necessária e afirmam que vão apresentar, na instrução criminal, fatos e argumentos defensivos capazes de garantir um julgamento justo ao indiciado. Já a defesa de Mayanna afirmou que a investigação foi concluída de forma assodada, com pressa, sem que fossem reunidos elementos probatórios considerados de extrema importância. De acordo com a delegada Luana Medeiros, responsável pela investigação, o pai, D’andre, foi indiciado pelo homicídio por ter praticado as agressões que provocaram a morte do menino. Já a mãe, Mayanna, responderá por homicídio por omissão, segundo a polícia. "Pelo homicídio foram os dois, o pai pela conduta, por ter praticado, e a mãe pela omissão. E a tortura, os dois foram indiciados", explica a delegada Luana Medeiros. Segundo a investigação, a mãe também teria participado de agressões contra os filhos. Por isso, os dois pais foram indiciados pelas cinco torturas, uma em relação a cada criança. "Temos indícios que a mãe também praticava algumas agressões e acreditava na violência como forma de controle. E, mesmo que ela não praticasse, pela omissão ela com certeza também responderia pelas torturas", afirma a delegada. As quatro crianças sobreviventes foram retiradas da guarda dos pais e estão abrigadas. Caso Oliver: polícia indicia pai e mãe de menino morto após ser espancado por não dar 'bom dia' no RS Reprodução/Redes sociais Menino morreu três dias depois de agressão O caso começou a ser investigado depois que a polícia recebeu a informação de que Oliver havia sofrido lesões graves no dia 5 de julho. Segundo o inquérito, o menino teria sido agredido pelo pai porque não teria dado “bom dia” a ele. D’andre teria dado socos na criança e batido a cabeça dela contra o chão. O pai foi preso em flagrante no mesmo dia. No dia seguinte, a prisão foi convertida em preventiva. Oliver morreu no dia 8 de julho. O exame necroscópico apontou como causa da morte um traumatismo cranioencefálico grave. A perícia também identificou múltiplas cicatrizes antigas no corpo do menino. Segundo a investigação, as marcas seriam resultado de lesões anteriores e não teriam relação direta com a agressão que provocou a morte. Marcas de agressões em quatro crianças Depois da prisão do pai, surgiram informações de que os outros filhos também poderiam ser vítimas de maus-tratos e que a mãe poderia estar envolvida. A Polícia Civil afirma ter reunido indícios de que as agressões contra as crianças aconteciam de maneira reiterada havia cerca de nove anos. Na perícia física, todas as crianças, com exceção do bebê de 1 ano, apresentavam diversas marcas no corpo, segundo a investigação. Foram identificadas cicatrizes e mordeduras de diferentes idades e provocadas por diferentes instrumentos. A polícia também afirma ter identificado indícios de que a mãe orientava os filhos a não mostrar o corpo e a não contar a outras pessoas sobre as agressões. As crianças foram encaminhadas para avaliação psicológica. Segundo a investigação, apenas uma delas conseguiu conversar, ainda que pouco, com a perita. As demais se recusaram a falar. Conforme a polícia, os filhos teriam sido ensinados pelos pais a não conversar com outras pessoas e a esconder as marcas de agressões. Mãe estava no quarto ao lado Além das agressões praticadas ao longo dos anos, a Polícia Civil concluiu que a mãe deve responder pelo homicídio de Oliver por omissão. Segundo o inquérito, Mayanna estava em um quarto ao lado no momento em que o menino era agredido. Para os investigadores, ela teria condições de ouvir o que acontecia e não teria tomado nenhuma atitude para impedir as agressões. A polícia considera que a estrutura da residência — uma casa pequena, de madeira e sem portas, com lençóis cobrindo as aberturas —, além da intensidade e da duração das agressões, torna pouco crível que ela não tenha ouvido os gritos da criança. A investigação também aponta que a mãe teve outras oportunidades, ao longo dos anos, para procurar ajuda. Polícia não indicia rede de proteção A Polícia Civil, porém, não identificou elementos para responsabilizar criminalmente os agentes da rede de proteção do município de Viamão. Segundo a investigação, não foi identificada atuação dolosa. A delegada justificou que essa condição é exigida pelo Direito Penal para a configuração de crime. A família já era acompanhada pelo Conselho Tutelar de Viamão havia cerca de oito meses, desde novembro de 2025, mas a guarda não foi retirada. Havia também histórico anterior de acompanhamento e denúncias em outros estados, incluindo São Paulo e Santa Catarina. Violência contra a mulher O inquérito aponta ainda que D’andre teria cometido violência doméstica e familiar contra Mayanna. A investigação relacionada a essas agressões foi desmembrada, por determinação judicial, e será analisada em outro inquérito. Nesse procedimento, o homem foi indiciado pelos crimes de injúria, vias de fato, violência psicológica e estupro, segundo a Polícia Civil. O sepultamento de Oliver aconteceu apenas duas semanas após a morte. LEIA TAMBÉM: Pastor evangélico recebeu família MP aciona Interpol para saber histórico Missionário era suspeito de maus-tratos em três estados Mãe também é presa; polícia investiga omissão Órgãos de menino são doados Morre menino espancado por não dar 'bom dia' ao pai 'O Estado falhou', admite prefeito de Viamão sobre missionário preso por espancar filho Família era acompanhada há oito meses pelo Conselho Tutelar Missionário dos EUA confessa ter espancado o filho O qu diz a defesa do pai "A defesa de D’Andre Grayson informa que, na noite de ontem [segunda-feira (10)], foram encerradas as investigações e a autoridade policial concluiu pelo indiciamento do Sr. D’Andre Grayson. O acervo probatório acostado pela autoridade policial — até ontem em sigilo para a defesa — é extenso e carece de análise técnica e pormenorizada por seus defensores. Diante disso, por ora, ante o recente acesso, a defesa manifesta discordância da capitulação utilizada pela autoridade policial e espera que o Ministério Público realize a análise técnica necessária na formação da opinio delicti. Ademais, durante a instrução criminal, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, serão apresentados ao juízo competente fatos e argumentos defensivos capazes de garantir um julgamento justo ao indiciado. Ismael Schmitt / Jader Santos — Defensores Constituídos" O que diz a defesa da mãe "A defesa técnica de Mayanna Angelina Rodgers vem a público manifestar-se acerca do recente indiciamento trazido pela Polícia Civil: 1. Precipitação policial e cerceamento de defesa A investigação foi concluída de forma açodada, sem que fossem reunidos elementos probatórios de extrema importância. Ressalta-se que o pedido formal de reconstituição dos fatos formulado por esta defesa sequer foi apreciado até o momento pela autoridade policial, comprometendo a busca pela verdade real ainda na fase de inquérito. 2. Ausência de concurso de crimes e incompatibilidade jurídica A defesa reitera que Mayanna não concorreu de forma alguma para a morte de seu filho. A imputação de homicídio qualificado por omissão imprópria baseada em suposto "dolo eventual" carece de amparo no ordenamento jurídico e na realidade dos fatos. Não se pode atribuir responsabilidade penal a quem, estando inserida em um severo contexto de violência doméstica, coação e isolamento, não possuía meios materiais nem capacidade de intervir ou evitar o trágico resultado. 3. Presunção de inocência e devido processo legal Lembramos à opinião pública e aos veículos de comunicação que a Carta Magna assegura o princípio fundamental da presunção de inocência. Mayanna é juridicamente inocente até que haja eventual sentença penal condenatória transitada em julgado. O processo penal exige o respeito estrito às garantias constitucionais, ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório. A defesa confia que, ao longo da instrução processual, a verdade dos fatos sob a ótica da legalidade e da justiça prevalecerá. Defesa de Mayanna Angelina Rodgers Isabel Cochlar André von Berg Juliana Braun Martins" Oliver Golden Grayson tinha 3 anos Arquivo pessoal VÍDEOS: Tudo sobre o RS
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