Debate no RS tem troca de acusações, ataques diretos e poucas propostas

Escrito em 06/08/2026


Debate com candidatos ao governo do RS, em Porto Alegre: Juliana, Gabriel, Maranata e Zucco Mateus Bruxel, Agência RBS Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB) participaram primeiro debate dos candidatos ao governo do RS em 2026, nesta quinta-feira, em Porto Alegre. No encontro, promovido pela rádio Gaúcha, do Grupo RBS, no teatro do prédio 40 da PUCRS, trocaram acusações, ataques diretos, apresentaram poucas propostas concretas e debateram sobre educação, infraestrutura, mudanças climáticas, saúde, desenvolvimento, IA entre outros temas. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Foram três blocos (leia abaixo as regras) nos quais os políticos responderam às perguntas de representantes de entidades, questionamentos elaborados pela produção da emissora, temas sugeridos pelos ouvintes, rodada com tema livre e considerações finais. Mediado pela jornalista Andressa Xavier, o embate teve largada no bloco 1 com os líderes nas pesquisas, Juliana e Zucco: ambos criticaram a atual gestão, os números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e discordaram quanto ao modelo de escola cívico-militar. "Não acredito em desenvolvimento econômico. Se a gente não tem qualidade na nossa educação, infelizmente, as nossas crianças estão chegando ao sexto ano, muitas delas sem conseguir interpretar um texto. Educação é a base de tudo. E o nosso Estado, já foi um Estado exemplo", disse Juliana. "O professor está com a saúde mental abalada. São planilhas e planilhas e planilhas. Tenho uma parceria com o ensino médio, eu vou impulsionar o modelo cívico-militar, sou autor desta lei, pretendemos fazer 20 colégios, ", afirmou Zucco. "Sou contra a escola cívico-militar. Eu entendo que o papel do militar é defender a soberania nacional, o que infelizmente muitos não vêm fazendo", rebateu Juliana. Em seguida, passaram a debater sobre infraestrutura, quando Zucco argumentou: "O Rio Grande do Sul é o estado que menos cresce entre todos os estados da federação. As nossas rodovias têm mais de 70% abaixo do nível ideal. E as ferrovias? Olha a concessão que foi feita da Rumo. Tínhamos 3.800 quilômetros, (hoje) temos 900." Juliana complementou: "Então, não sou contra a concessão, mas acho que tem que ser feito com diálogo, não dá para ficar muito mais caro do que era antes, a tarifa tem que ser justa, e os investimentos promovidos têm que ser cobrados". Depois, Maranata, antes de questionar Gabriel Souza, fez críticas ao atual governo: "O maior desafio do próximo governador do estado do Rio Grande do Sul é levantar a autoestima do povo gaúcho. Povo gaúcho quer ver obra". "Vai caber a nós apresentar alguma proposta. Infelizmente, eu ouvi os dois que nos antecederam, vi muita crítica, ouvi muito ataque, mas não ouvi proposta, ouvi cartas de intenções que aí até o ChatGPT faria", respondeu Gabriel. Leia também: Quem são os candidatos ao governo do RS Quem são os candidatos ao Senado no RS No segundo bloco, os candidatos responderam a oito perguntas de entidades escolhidas ao vivo. O presidente da Associação Rio-Grandense de Propaganda (ARP), Fernando Silveira, questionou os candidatos se têm projetos de valorizar produtos made in RS: "Criamos a InvestRS, a Invest vai ser um braço para poder viabilizar, através de um selo made in RS, produto do Rio Grande do Sul, os novos mercados no Brasil e no Exterior para o mercado dos produtores", disse Gabriel. Em seguida, Gabriel questionou Zucco sobre o mesmo tema. O candidato do PL afirmou: "R$ 170 milhões em publicidade, gente? Temos que ter publicidade para vender o pampa, para vender o Vale dos Vinhedos. O Rio de Janeiro, diferente do Rio Grande do Sul, é o estado onde 94% das agências divulgam agentes de turismo". Depois, Zucco, ao ser questionado pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) sobre saúde, chamou Juliana para o embate, que disse: "Se tu quiser ter especialista, tu vai ter que ir a Brasília e sentar. Pode ser que tu tenha que sentar com o presidente Lula. Não sei se tu tem essa disponibilidade". Em seguida, o Cláudio Corrêa, presidente Força Sindical no Rio Grande do Sul, perguntou sobre a escala 6 x 1 para Maranata, que disse entender que o tema não será levado adiante em Brasília. "Acredito que isso não vai passar no Senado. Tem muita discussão ainda. Como é que vai ficar a máquina pública? Quem é que paga essa conta? E a gente não fala em produtividade." No terceiro e último bloco, o tema era livre. Maranata chamou Zucco para falar sobre segurança pública: "É o estado com o maior número de facções e ainda, por incrível que pareça, a gente faz a primeira pergunta para um criminoso ao entrar no presídio. Não é qual o crime que cometeu, não é quanto tempo ele vai ficar, é qual a facção que ele pertence. Isso é inadmissível." "O crime está inteligente, o crime está na Faria Lima, o crime está nos garimpos, o crime está nas organizações, está no posto de gasolina", complementou Maranata. Depois, Gabriel Souza fez pergunta a Juliana sobre críticas que ela faz ao atual governo, do qual ele é integrante: "Tudo aquilo que é bom a gente vai manter. Já que tu quer falar de algum programa que eu vou manter, esqueceu de tratar dos feminicídios. Já temos mais de 40 mulheres (mortas). E é dever do Estado proteger as nossas mulheres." Gabriel insistiu em saber quais programas a candidata manteria em caso de ser eleita: "Lastimavelmente, ela não respondeu. Eu não quero atacar absolutamente ninguém. Eu quero respostas e propostas para o eleitor saber." "Gabriel, o teu governo não entregou nada. Agora tu está dizendo que vai fazer", rebateu Juliana num dos poucos momentos tensos do debate. Após, cada candidato fez suas considerações finais. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e o segundo deve acontecer em 25 de outubro. Agora no g1 As regras do debate: No primeiro bloco, foi exibido um vídeo de apresentação de, no máximo, 30 segundos de cada concorrente. Em seguida, houve uma rodada de conversas com perguntas elaboradas pela produção do programa, e cada dupla de pré-candidatos teve cinco minutos para discutir o tema. O segundo bloco reservou espaço para as perguntas de representantes das entidades, que foram sorteados. Quem respondeu também passou por sorteio e pode escolher um oponente para comentar. O terceiro e último bloco foi dividido em três momentos. No primeiro, os candidatos responderam sobre temas sugeridos pelos ouvintes. Em seguida, ocorreu uma rodada com tema livre, na qual cada nome sorteado pode escolher quem desejou questionar. A etapa se encerrou com as considerações finais de cada participante. VÍDEOS: Tudo sobre o RS
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