Nego Di publicou recibo falso de doação de R$ 1 milhão, mas só enviou R$ 100, diz promotor O influenciador Dilson Alves da Silva Neto, conhecido como Nego Di, foi condenado na terça-feira (23) por crimes de estelionato, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e promoção de loteria ilegal. A sentença aponta que o humorista e a esposa, Gabriela Vicente de Sousa, atuaram em um esquema que envolvia rifas virtuais irregulares, ocultação de valores e uso de documentos falsos. Veja VÍDEO em que Nego Di simula ligação e mensagens para ganhadora fictícia de Porsche O humorista foi responsabilizado por promover rifas sem autorização legal. De acordo com a sentença, ele simulava sorteios de prêmios de alto valor para atrair compradores de rifas. Um dos casos citados envolve um Porsche Macan avaliado em R$ 500 mil. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O promotor de Justiça Flávio Duarte, da Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre, afirma que o influenciador usou o telefone de uma pessoa que trabalhava com ele para simular a conversa com a ganhadora, que ele chamou de "Silmara Noeli" em um vídeo publicado nas redes sociais. "Ele tinha pleno controle das rifas que fazia e essas rifas não tinham data específica para o sorteio. Então, ele poderia perfeitamente ver um determinado sorteio cujo número não foi contemplado por ninguém, poderia adquirir os números ele mesmo até ele mesmo adquirir o número vencedor", diz o promotor. Dessa forma, ele não precisou entregar o carro. "Ele simulou uma ligação para uma determinada pessoa que ele mesmo criou como se ela fosse a vencedora", afirma o promotor. No total, Nego Di foi condenado a 14 anos e 6 meses de reclusão em regime fechado, além de uma pena adicional de 1 ano e 15 dias por promover uma loteria ilegal. Já Gabriela recebeu pena de 8 anos e 4 meses de prisão, também em regime fechado, por lavagem de dinheiro. As penas incluem ainda pagamento de dias-multa, calculados com base no salário mínimo vigente à época dos fatos. O g1 entrou em contato com a advogada Camila Kersch, responsável pela defesa de Dilson, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Também foi questionado se a esposa é representada pela mesma defesa. Conforme a denúncia, foram pelo menos 34 sorteios realizados entre novembro de 2022 e maio de 2024, divulgados nas redes sociais e vinculados à venda de bilhetes. As ações eram divulgadas nas redes sociais, com oferta de prêmios em dinheiro e bens mediante a venda de bilhetes. O juiz destacou que a prática não foi isolada, mas sim uma atividade estruturada e reiterada, com grande alcance e movimentação superior a R$ 2,5 milhões. Na decisão, o magistrado também afastou a alegação de desconhecimento da ilegalidade, afirmando que, pelo volume financeiro e pela natureza da atividade, havia dever de o influenciador se informar sobre a legalidade das ações. Para a Justiça, ficaram comprovados o prejuízo das vítimas, a obtenção de vantagem ilícita e a indução ao erro, atingindo ao menos 9.683 pessoas, com prejuízo total de R$ 185,3 mil. Segundo a sentença, após a obtenção dos valores com as rifas, Dilson e Gabriela passaram a atuar para ocultar a origem ilícita do dinheiro. De acordo com a decisão, o esquema envolveu o uso de contas bancárias em nome da própria Gabriela e de uma empresa do casal, além de contas de terceiros. Os valores eram transferidos entre diferentes contas e misturados a recursos de origem lícita, o que, conforme o juiz, dificultava o rastreamento. A Justiça também apontou a aquisição de bens com aparência de legalidade. O magistrado classificou a operação como um esquema sofisticado, estruturado em múltiplas camadas, e destacou que a participação de Gabriela foi essencial para viabilizar a movimentação de mais de R$ 2,4 milhões. Nego Di condenado: influenciador simulou contato com ganhadora de Porsche em rifa ilegal, mas 'Silmara Noeli' nunca existiu Reprodução/Redes sociais Recibo falso de doação milionária O uso de um recibo falso para fingir que havia doado R$ 1 milhão para apoiar as vítimas da enchente histórica de 2024 no Rio Grande do Sul foi um dos motivos que levaram Nego Di a ser condenado pela Justiça. O promotor de Justiça Flávio Duarte salienta a importância que teve a questão do recibo falso no processo. Durante a investigação, o Ministério Público (MPRS) comprovou que, na verdade, ele havia doado apenas R$ 100 e modificou o comprovante da transferência. "Ele fez uma doação de R$ 100 e expôs nas mídias sociais essa doação como se tivesse sido feita no valor de R$ 1 milhão, obtendo com isso um engajamento, um número maior de seguidores, que refletiu depois em ganhos patrimoniais. Ele usou a enchente para benefício próprio, recebendo um retorno financeiro a partir da utilização de um documento que depois se comprovou falso", explica o promotor. Nego Di anunciou doação de R$ 1 milhão para vítimas da enchente no RS, mas só enviou R$ 100, diz promotor Reprodução/Redes sociais Em um vídeo publicado na época nas redes sociais, Nego Di declarou: "A gente fez essa escolha de coração. Decidi doar um milhão de reais pro Rio Grande do Sul. Eu mandei R$ 1 milhão para a vaquinha do meu parceiro Badin". Para a Justiça, a conduta foi intencional e houve plena consciência da falsidade, com o objetivo de induzir a coletividade em erro ao atribuir ao influenciador uma doação que não ocorreu. A participação de Gabriela, segundo a decisão, foi essencial para o funcionamento do esquema. O juiz Ricardo Petry Andrade afirmou que ela cedeu contas e estruturas financeiras para movimentar os recursos de origem ilícita e também se beneficiou da aquisição de bens. No caso do comprovante de doação, o magistrado considerou que houve adulteração consciente do valor antes da divulgação nas redes sociais, para enganar os seguidores. Nego Di; Gabriela Vicente de Sousa, esposa do humorista Arquivo pessoal; Redes sociais/Divulgação Nego Di teria fraudado rifa e simulado contato com ganhadora de Porsche Loja virtual “Tadizuera” Além da condenação desta terça-feira, o influenciador também responde a outro processo envolvendo a loja virtual “Tá Di Zueira”. VÍDEOS: Tudo sobre o RS
Nego Di simulou contato com ganhadora de Porsche em rifa ilegal, mas 'Silmara Noeli' nunca existiu
Escrito em 25/06/2026
Nego Di publicou recibo falso de doação de R$ 1 milhão, mas só enviou R$ 100, diz promotor O influenciador Dilson Alves da Silva Neto, conhecido como Nego Di, foi condenado na terça-feira (23) por crimes de estelionato, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e promoção de loteria ilegal. A sentença aponta que o humorista e a esposa, Gabriela Vicente de Sousa, atuaram em um esquema que envolvia rifas virtuais irregulares, ocultação de valores e uso de documentos falsos. Veja VÍDEO em que Nego Di simula ligação e mensagens para ganhadora fictícia de Porsche O humorista foi responsabilizado por promover rifas sem autorização legal. De acordo com a sentença, ele simulava sorteios de prêmios de alto valor para atrair compradores de rifas. Um dos casos citados envolve um Porsche Macan avaliado em R$ 500 mil. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O promotor de Justiça Flávio Duarte, da Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre, afirma que o influenciador usou o telefone de uma pessoa que trabalhava com ele para simular a conversa com a ganhadora, que ele chamou de "Silmara Noeli" em um vídeo publicado nas redes sociais. "Ele tinha pleno controle das rifas que fazia e essas rifas não tinham data específica para o sorteio. Então, ele poderia perfeitamente ver um determinado sorteio cujo número não foi contemplado por ninguém, poderia adquirir os números ele mesmo até ele mesmo adquirir o número vencedor", diz o promotor. Dessa forma, ele não precisou entregar o carro. "Ele simulou uma ligação para uma determinada pessoa que ele mesmo criou como se ela fosse a vencedora", afirma o promotor. No total, Nego Di foi condenado a 14 anos e 6 meses de reclusão em regime fechado, além de uma pena adicional de 1 ano e 15 dias por promover uma loteria ilegal. Já Gabriela recebeu pena de 8 anos e 4 meses de prisão, também em regime fechado, por lavagem de dinheiro. As penas incluem ainda pagamento de dias-multa, calculados com base no salário mínimo vigente à época dos fatos. O g1 entrou em contato com a advogada Camila Kersch, responsável pela defesa de Dilson, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Também foi questionado se a esposa é representada pela mesma defesa. Conforme a denúncia, foram pelo menos 34 sorteios realizados entre novembro de 2022 e maio de 2024, divulgados nas redes sociais e vinculados à venda de bilhetes. As ações eram divulgadas nas redes sociais, com oferta de prêmios em dinheiro e bens mediante a venda de bilhetes. O juiz destacou que a prática não foi isolada, mas sim uma atividade estruturada e reiterada, com grande alcance e movimentação superior a R$ 2,5 milhões. Na decisão, o magistrado também afastou a alegação de desconhecimento da ilegalidade, afirmando que, pelo volume financeiro e pela natureza da atividade, havia dever de o influenciador se informar sobre a legalidade das ações. Para a Justiça, ficaram comprovados o prejuízo das vítimas, a obtenção de vantagem ilícita e a indução ao erro, atingindo ao menos 9.683 pessoas, com prejuízo total de R$ 185,3 mil. Segundo a sentença, após a obtenção dos valores com as rifas, Dilson e Gabriela passaram a atuar para ocultar a origem ilícita do dinheiro. De acordo com a decisão, o esquema envolveu o uso de contas bancárias em nome da própria Gabriela e de uma empresa do casal, além de contas de terceiros. Os valores eram transferidos entre diferentes contas e misturados a recursos de origem lícita, o que, conforme o juiz, dificultava o rastreamento. A Justiça também apontou a aquisição de bens com aparência de legalidade. O magistrado classificou a operação como um esquema sofisticado, estruturado em múltiplas camadas, e destacou que a participação de Gabriela foi essencial para viabilizar a movimentação de mais de R$ 2,4 milhões. Nego Di condenado: influenciador simulou contato com ganhadora de Porsche em rifa ilegal, mas 'Silmara Noeli' nunca existiu Reprodução/Redes sociais Recibo falso de doação milionária O uso de um recibo falso para fingir que havia doado R$ 1 milhão para apoiar as vítimas da enchente histórica de 2024 no Rio Grande do Sul foi um dos motivos que levaram Nego Di a ser condenado pela Justiça. O promotor de Justiça Flávio Duarte salienta a importância que teve a questão do recibo falso no processo. Durante a investigação, o Ministério Público (MPRS) comprovou que, na verdade, ele havia doado apenas R$ 100 e modificou o comprovante da transferência. "Ele fez uma doação de R$ 100 e expôs nas mídias sociais essa doação como se tivesse sido feita no valor de R$ 1 milhão, obtendo com isso um engajamento, um número maior de seguidores, que refletiu depois em ganhos patrimoniais. Ele usou a enchente para benefício próprio, recebendo um retorno financeiro a partir da utilização de um documento que depois se comprovou falso", explica o promotor. Nego Di anunciou doação de R$ 1 milhão para vítimas da enchente no RS, mas só enviou R$ 100, diz promotor Reprodução/Redes sociais Em um vídeo publicado na época nas redes sociais, Nego Di declarou: "A gente fez essa escolha de coração. Decidi doar um milhão de reais pro Rio Grande do Sul. Eu mandei R$ 1 milhão para a vaquinha do meu parceiro Badin". Para a Justiça, a conduta foi intencional e houve plena consciência da falsidade, com o objetivo de induzir a coletividade em erro ao atribuir ao influenciador uma doação que não ocorreu. A participação de Gabriela, segundo a decisão, foi essencial para o funcionamento do esquema. O juiz Ricardo Petry Andrade afirmou que ela cedeu contas e estruturas financeiras para movimentar os recursos de origem ilícita e também se beneficiou da aquisição de bens. No caso do comprovante de doação, o magistrado considerou que houve adulteração consciente do valor antes da divulgação nas redes sociais, para enganar os seguidores. Nego Di; Gabriela Vicente de Sousa, esposa do humorista Arquivo pessoal; Redes sociais/Divulgação Nego Di teria fraudado rifa e simulado contato com ganhadora de Porsche Loja virtual “Tadizuera” Além da condenação desta terça-feira, o influenciador também responde a outro processo envolvendo a loja virtual “Tá Di Zueira”. VÍDEOS: Tudo sobre o RS