RS lidera queixas do Minha Casa, Minha Vida, mas Caixa considera 92% dos casos improcedentes

Escrito em 19/05/2026


RS lidera queixas do Minha Casa, Minha Vida O Rio Grande do Sul é o estado brasileiro com o maior número de reclamações sobre problemas estruturais em imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Dados obtidos pela RBS TV via Lei de Acesso à Informação revelam que, entre 2024 e 2025, foram registradas 1.493 queixas no sistema da Caixa Econômica Federal. Apesar do alto volume de reclamações, que citam principalmente infiltração, umidade, mofo e falhas em telhados, 92% delas foram consideradas improcedentes pelo banco. Apenas quatro resultaram em penalidades para as construtoras. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O sonho da casa própria se transformou em um pesadelo para muitas famílias. "Era ter uma casinha bem direitinho, né, sem goteira, sem nada. A gente ficou muito feliz, mas depois começaram os problemas", desabafa a dona de casa Daiane da Silva Porto, moradora de um dos loteamentos em Gravataí, na Região Metropolitana. Com problemas nas paredes, piso e teto, ela não tem como arcar com os custos. "É muita coisa para arrumar. A gente não tem condições. E hoje está tudo tão caro", lamenta. Na cidade, o Residencial Breno Garcia acumula 298 reclamações, um dos cinco maiores índices do país. Maria Teresa Borges do Nascimento, que mora no local desde 2019, convive com os problemas há seis anos. "As portas já vieram com defeito. Quando eu cheguei aqui, todas as portas estão furadas", conta. Ela afirma que o forro e as portas já foram entregues com avarias. Em dias de temporal, a situação piora: chove dentro de casa. "A minha maior preocupação foi o que aconteceu há dois anos, quando eu perdi meus móveis, desde as camas. Aí eu tive que receber doação", recorda. A umidade constante agrava a asma de sua filha, Rebeca. "Eu acordo espirrando muito todo dia. Porque a umidade e a chuva também, chove dentro de casa, tem muita goteira, daí eu pego mais gripe", diz a menina. Em 2025, Maria Teresa ligou para o teleatendimento da Caixa para relatar os problemas. "Estou com problemas estruturais na casa, inclusive vazando água quando chove muito", disse ela na ligação, que durou mais de 15 minutos. A resposta foi um prazo de sete dias corridos para um retorno, que, segundo ela, nunca aconteceu. Funcionário da Caixa usava cargo para beneficiar a própria construtora em golpe da casa própria no RS O que dizem os especialistas e a Caixa A advogada Crislaine Bozzetti, que representa cerca de 200 moradores do Breno Garcia, aponta falhas graves no projeto. "A estrutura metálica no memorial descritivo foi determinada que fosse pintada com esmalte sintético e fundo anticorrosivo. Entretanto, se nós olharmos aqui nos telhados, não houve essa pintura. Portanto, o ferro está todo enferrujado e nós temos aqui um risco de futuro desabamento", alerta. Em nota, a Caixa Econômica Federal afirmou que, por meio do programa "De Olho na Qualidade", mantém um canal para tratamento de reclamações e que as construtoras são responsáveis pela reparação de vícios construtivos durante a garantia de 5 anos. O banco justifica a improcedência da maioria das queixas por fatores como registros fora do prazo, falta de elementos técnicos, problemas decorrentes de mau uso ou falta de manutenção. A advogada dos moradores, no entanto, contesta o prazo. "Garantia de itens é 5 anos, mas a reparação da construção mal feita, da obra entregue em estado ruim, com vício construtivo, são 10 anos. Ao longo da utilização do imóvel, eles vão aparecendo", argumenta. Enquanto a disputa legal continua, Maria Teresa, que recorreu à Justiça, mantém a esperança. "Isso é muito triste para nós, moradores, que sempre sonhamos com a casa própria. Mas nós queremos ela perfeita, em condições de uso, sem ter essas frustrações", conclui. RS lidera queixas do Minha Casa, Minha Vida, mas Caixa considera 92% dos casos improcedentes Reprodução/RBS TV VÍDEOS: Tudo sobre o RS
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